Eli Sibita: “Arte é aquela que você distribui”.

Aos 86 anos, Eli Sibita é um dos expoentes do teatro piauiense desde sua criação, e até hoje mantém viva sua arte repassando seu conhecimento às novas gerações

Por: Por Waldelúcio Barbosa / Jornal Meio Norte. | Data: 15/02/2022 22:11 - Atualizado em 15/02/2022 23:01


Atriz Eli Sibita sob as lentes do fotografo Gustavo Miranda, TvM filmes      

Sibito é o nome dado pelo povo a um pássaro que possui um canto encantador e que tem os pés bem fininhos e assim é possível entender a analogia que dá sentido a gíria, mas no Piauí, além do pássaro, Sibita também é o nome artístico da atriz e folclorista, Zulmira Bezerra, popularmente conhecida pelo apelido, que até hoje mantém viva sua arte repassando seu conhecimento as novas gerações.

Natural de Amarante, Eli Sibita é referência para a cultura popular do Piauí. Conhecedora profunda do folclore amarantino, Sibita manteve por muito tempo o Grupo de Teatro Nasi Castro onde, ela além de atriz, foi orientadora de manifestações folclóricas, como A Dança das Peneiras, o Cavalo Piancó, As Doze Danças Portuguesas, entre outras obras.

Aos 86 anos, Eli Sibita é um dos expoentes do teatro piauiense desde sua criação. A atriz ficou conhecida nacionalmente ao interpretar dona Raimunda na comédia "Ai que Vida" em 2007, e a Vó Iaiá no drama "Flor de Abril", ambos longas do cineasta Cícero Filho. Recentemente, o diretor realizou um Curta Documentário, onde apresenta a trajetória da artista piauiense.

Assista ao documentário "Eli Sibita, sua arte, sua vida":

Jornal Meio Norte: Como surgiu o apelido Sibita?

Eli Sibita: Amarante é a terra que tem mais apelido no mundo. Parece até mentira. Como eu era tão pequena e tinha um pássaro chamado sibito, aí me disseram olha a “sibitinha”, minha mãe reclamou, mas não teve jeito logo o apelido pegou. Hoje eu acho estranho quando digo meu nome de batismo.

Atriz Eli Sibita com o elenco principal da comédia de sucesso AI QUE VIDA / Arquivo TvM filmes.

“A vida para mim é tudo, Deus me entregou ela de mão beijada. Me sinto feliz e tenho que levar na esportiva. Sou igual a loteria, eu não paro, eu continuo."

JMN: Qual o significado da vida?

Eli Sibita: A vida para mim é tudo, Deus me entregou ela de mão beijada. Me sinto feliz e tenho que levar na esportiva. Sou igual a loteria, eu não paro, eu continuo.

JMN: Qual sua relação com a fé?

Eli Sibita: Não é religião que te salva, é teu coração, é você com seus deveres com Deus. Esse é que te salva. É você cumprir os 10 mandamentos e você com Deus.

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Bastidores do longa-metragem FLOR DE ABRIL, com direção de Cícero Filho / Arquivos TvM filmes. 

JMN: Qual a importância de compartilhar os conhecimentos com os mais novo

Eli Sibita: A arte só para você não serve.  A arte é aquela que você distribui. Tudo que eu sei fazer eu ensino, porque se você morre e não ensina, você não fez nada. A arte é uma coisa que Deus lhe ensinou e você ensina. Agora você tem que ter muito cuidado com os invejosos.

JMN: Desde a infância você está inserida no meio artístico, dessa forma, qual a importância da arte?

Eli Sibita: Sem a arte ninguém vive, é a coisa melhor que Deus deixou foi a arte. Se você sabe fazer um sapato, você vive dele, se você é artista você vive dele. Tudo na arte é o progresso que Deus deixou para nós. Não terá progresso se não houver arte. O artista tem que ser tudo, ele tem que ser bom de coração, tem que ser palhaço, tem que ser mentiroso. É louco quem disser que arte é perda de tempo.

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JMN: Quando se descobriu artista?

Eli Sibita:  No começo, Amarante foi o lugar que mais deu artista. Tinha três palcos para ter drama, comédia, reisado, micareta e assim eu fui assistindo as coisas que tinham em Amarante, até o Zé Pereira era uma festa incrível, mas em Amarante tinha muito racismo, ainda hoje tem, mas antes era tudo separado. Os negros dançavam em um lugar e o branco em outro. O branco dançava junto com o negro na Sociedade União Artística, mas o negro não podia dançar com os brancos. 

Porque existe ainda gente com racismo? Só porque você nasceu branca, mas é pobre que não tem onde cair morto e ainda assim é racismo. Só é racista quem não tem Deus no coração.  Então desde pequena eu já via tudo isso e depois meu pai me levou para o circo, onde eu comecei a fazer minhas primeiras apresentações e interpretar personagens. Até hoje, o circo é a coisa que eu mais adoro no mundo.

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Atualmente, a folclorista Eli Sibita, se prepara para dar vida a divertida Vovó Da Cruz, o seu mais novo personagem na comédia de longa-metragem BABAÇU LOVE, cuja direção será do cineasta Cícero Filho e a produção executiva TvM Filmes. As gravações de BABAÇU LOVE estão previstas para julho de 2022.

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